Recursos Humanos

Human resource chalk drawing
Fonte: depositphotos

Diante do contexto de incerteza, crise econômica e politica que estamos vivendo hoje, a área financeira nas empresas tem sido vista como de extrema importância, de forma a garantir a sobrevivência da empresa por meio da redução de custos.  Em cenários críticos como este, grande parte das empresas migra toda sua atenção para retomar seu espaço no mercado e para os públicos externos e acabam se esquecendo de uma peca fundamental: os funcionários. Sendo assim, a equipe de recursos humanos tem papel fundamental neste momento.

A produtividade dos brasileiros passou a ser bastante discutida, pois nunca se produziu tão pouco em um pais com gastos tão elevados. Sendo assim, cabe ao RH atuar como um motivador da equipe a fim de influencia-los a produzir mais e aumentar a lucratividade das empresas. Sendo assim, em momentos críticos é essencial os lideres  se atentarem para a valorização do trabalho de suas equipes, pois é por meio desta que os funcionários irão manter-se motivados e focados em suas entregas para alavancar os resultados da companhia. De acordo com Dan Ariely, em sua palestra no TED “O que nos faz sentir bem em nosso trabalho” a motivação no trabalho não está relacionada ao salário, mas sim o conjunto de: reconhecimento do trabalho, o significado que o trabalho tem e o desafio. Deve-se atentar para o fato que os profissionais precisam estar no local correto, sabendo exatamente quais são suas responsabilidades, estando preparados para assumir novos desafios e motivando-se constantemente.

Em momentos de crise a figura do líder é extremamente importante para equipe. Porém, é justamente nestes momentos que muitos gestores costumam se isolar para encontrar uma solução para determinado problema, deixando seus subordinados sem orientação, desmotivados e inseguros, sem saber qual o rumo a empresa irá seguir. É nestes momentos de crise que o líder precisa demonstrar toda sua capacidade de superar desafios a fim de transmitir confiança para toda a sua equipe. Além disso, é importante ser um bom comunicador e manter a equipe próxima a si a fim de minimizar os impactos negativos que o momento da crise pode causar. A comunicação honesta e a transparência são peças fundamentais para criar elos de tranquilidade e confiança e manter as pessoas focadas em suas entregas.

Para uma boa gestão empresarial, a transparência diante dos colaboradores é um item fundamental. Um funcionário deve ter claro em sua mente quais os objetivos da empresa a curto e longo prazo, qual o papel do setor onde trabalha dentro desse objetivo e, especialmente, qual o papel dele nisso tudo. Caso isso não aconteça, ele não será tão produtivo quanto poderia, ficará perdido, muitas vezes despendendo esforços em tarefas pouco importantes e que agregam pouco na realização da meta estabelecida. Por isso, é papel dos gestores não apenas estabelecer esses objetivos, mas também garantir que a comunicação seja clara e eficaz, por meio de informativos, reuniões e qualquer outro meio que julgue necessário para atingir todos os níveis hierárquicos dentro da organização.

No trecho abaixo, retirado da Revista Melhor (www.revistamelhor.com.br), publicação oficial da Associação Brasileira de Marketing, Jacqueline Sobral comenta um importante efeito colateral do corte de custos por meio de demissões, nem sempre levado em conta pelos gestores:

“Em tempos de incerteza e de previsões negativas sobre a economia, as empresas correm para apertar o botão do “fazer mais por menos”. Em geral, é época de anúncio de demissões e de cortes no orçamento, em especial, da área de recursos humanos. Em muitos casos, diminuir o quadro de funcionários é uma providência necessária em tempos de “vacas magras”. Especialistas alertam, no entanto, que é nessa hora que o RH precisa ainda mais exercer seu papel estratégico e analisar, junto com a alta direção, os prejuízos que podem ser causados com tais medidas a médio e a longo prazos. A interrupção de programas de treinamento, por exemplo, não deve estar nos planos, principalmente se esperam que menos profissionais façam o mesmo trabalho, ou acumulem novas funções. (…) Embora a curto prazo as demissões possam significar um fôlego extra para as empresas, uma estimativa do Hay Group mostra que o custo relacionado à demissão de um empregado gira entre 12 e 18 meses de seu salário, considerando a perda de know-how, a capacidade de multiplicação de conhecimento, a experiência na execução de tarefas e solução de problemas, e, até mesmo, a satisfação dos clientes.”

Em tempos de crise, essa práticas se tornam ainda mais relevantes. É natural que, quando a economia de modo geral ou mesmo o mercado no qual a empresa atua passam por dificuldades, um clima de insegurança, medo e incerteza comece a aparecer entre os colaboradores. Começam a surgir dúvidas com relação ao futuro da companhia, medo de demissões, receio de menores dividendos por parte dos acionistas, etc. E é nesse momento que os gestores e o pessoal de Recursos Humanos devem focar ainda mais na qualidade e intensidade da comunicação, assegurando a participação de todos na realização das metas e a manutenção da tranquilidade no ambiente de trabalho. Os funcionários devem ter claro para eles a situação exata na qual a empresa se encontra, não importando o quão delicada seja a situação. Ainda na questão da comunicação, há um ponto que muitas vezes recebe pouca atenção da empresa: o feedback por parte dos funcionários. Em épocas difíceis, é crucial, além falar com a equipe, também ouví-la. É preciso dar abertura para que eles possam expor suas dúvidas, inquietações com relação ao futuro da empresa para que se possa acabar com possíveis desentendidos. Em certos momentos é interessante também encorajar ao pessoal a propor soluções para os problemas enfrentados, pois pode ser uma fonte de boas ideias e inovações importantes que a companhia necessita.

Esse estreitamento de distâncias entre os níveis da empresa tem outros efeitos muito positivos na superação de crises. Nas dificuldades, é ideal promover práticas que mantenham a união e motivação dos integrantes da companhia. Funcionários desmotivados, ou que trabalham simplesmente motivados pelo dinheiro, podem facilmente abandonar o barco e passar para a concorrência. Deve-se despertar um senso de time em busca do objetivo e mostrar para o pessoal que cada um deles tem sua importância nessa busca. Um funcionário que acredita na causa da empresa em que trabalha, no impacto do seu trabalho e confia em seus companheiros trabalha melhor e mais feliz. Em situações de adversidade, esse tipo de sentimento é um dos únicos fatores capazes de manter o pessoal empenhado e com disposição de permanecer na empresa.

Em época de recessão econômica, o que significa dificuldade para alguns pode ser uma grande oportunidade para outros. Se uma empresa consegue minimizar os efeitos negativos sobre seus negócios e atuar melhor que seus concorrentes, pode aproveitar para captar talentos no mercado e trazê-los para sua companhia, talvez até investindo para isso menos capital do que seria necessário em uma situação de grande crescimento econômico. Havendo recursos disponíveis, o time de Recursos Humanos deve estar atento ao mercado e buscar ativamente profissionais qualificados que tenham interesse em mudar de empresa. É uma chance que não se deve disperdiçar.

Cinco discursos motivadores do TED para profissionais de RH